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terça-feira, maio 03, 2011

Outono

A doce ressonância do perfume destas palavras que morrem
Embala meu tranquilo sono desperto, cheio de seus sonhos vazios
Uma canção apaixonada pela outono cinza e rastejante
Como a sedosa dose deste veneno áspero... o frio no qual estou, está em mim

O amor pelo qual nada posso, selvagem e pulsante paixão pela noite silenciosa
Pelos passos observados sozinhos, ecoantes, o suave brilho da chuva no asfalto
Perder-me em nada, no horizonte congelado da paisagem que me preenche
Vendo esse mundo embaçado através da fumaça de meu cigarro

A melodia, tão certa melodia... e sua cegueira, desejada virtude
Se apenas não fossemos, por mais um instante, aqueles dos quais nos cansamos
Aqueles pelos quais, por profundo amor, desprezamos
Mas não, são apenas mais alguns passos molhados sob a noite

E a chuva dançante sob as luzes amareladas da cidade, com suas palavras que morrem

segunda-feira, julho 20, 2009

Outono

Ela correu, suas botas faziam um som ainda mais alto no beco onde entrou.

– Filho da puta! – Exclamou ao queimar o braço no cano fumegante de uma das suas armas.

Os pentes caíram produzindo um som agudo que logo ficou para trás. Ela podia sentir o coração batendo, havia corrido muito e sua respiração estava descompassada, apesar disso sabia que não o havia despistado – Fácil demais – mas não podia se dar ao luxo de olhar para tras. Inseriu novos pentes as suas pistolas, ouviu um clique mais alto do que esperava da trava de seus carregadores. Parou.

– Cheque mate. – A voz foi fria, desprovida de qualquer emoção.

– … – Ela estava morta, não havia o que dizer. Tentou por um sorriso nos lábios em seu ultimo segundo, não pode.

Sete disparos foram ouvidos. Sete capsulas retiniram contra a parede, ainda soltando fumaça. Seis balas trespassaram a cabeça da garota, seus cabelos prateados pareceram flutuar por uma eternidade. Um projetil estilhaçou o seu maxilar. Logo apos o baque surdo, o sangue alcançou os sapatos do homem.

– Tsc... Gosto mais do seu cabelo vermelho. – Tentou achar graça, não entendia o conceito ainda, e o cabelo da moca era originalmente vermelho... a piada não teria graça de qualquer forma.

O noticiário notificou um latrocínio, ninguém questionou os múltiplos disparos.

segunda-feira, julho 13, 2009

Outono

Enquanto ela corria suas botas pesadas produziam um som metálico alto, mesmo com todo o barulho de uma grande cidade ao seu redor. Ela já não sabia o que odiava mais neste momento, suas botas barulhentas ou seu cabelo prateado, brilhante.

- Merda! Eu nunca vou conseguir me misturar à multidão!

Um estampido alto, calibre 45, ela poderia reconhecer este som em qualquer lugar. E pronto, não havia mais a multidão tão normal aquele horário, havia apenas o caos.
Era a hora de fazer o jogo de seu perseguidor, ela sacou suas duas pistolas...