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domingo, maio 15, 2011

Tempestade

Então sinto a sombra que rasteja pela minha garganta
O reflexo do monstro sombrio que habita minhas entranhas
Esgueira-se pela imperfeição da minha imagem
Sufoca o doce perfume, arranha a superfície com estridência

Mas a paixão, selvagem companheira, turva esses calculados movimentos
Como o doce aroma de tão alva pele e sua textura desconcertante
No incêndio daquele sorriso, nos seus olhos calados, perdi-me
Como se golpeado pelo frio que nos cerca, o inevitável abismo

Um olhar que invade minha alma, olha para dentro do que sou
Lábios que encerram sua alma sob o silencio, põe em chamas minha pele
Alimentam a voracidade de cada respiração
Deixa suas marcas em minha vontade, como a melodia de uma noite fria

Na clareza dessa imperfeição que me desenha tão bem
O ressoar das palavras incautas que definem meu caminho
O brilho prata de um instante da fraqueza que me desfigura
Antes frageis fossem estes dedos, estas palavras

Não desejo ser lido pela minha linha mais lamentosa, pela frase mais distante de mim
Por um momento em que me perdi nas sombras de um anel
Nem mesmo desejo ferir o silencio de quem invade minha mente como uma tempestade
Desejo apenas, tão somente, mais um momento, mais um instante, sempre

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Tempestade

Parou o carro sem desligar o motor, deixou a musica fazer seu papel... deixou-a dizer o que havia para ser dito, e ela disse. Desejou profundamente ter as resposta corretas, mas nao tinha e teria de lidar com com a falta delas e lidou. As vezes é melhor nao ter ajuda para errar, ele sabia.

domingo, dezembro 06, 2009

Tempestade

As vezes tudo se torna tão confuso que ate mesmo o óbvio parece escapar. E se existe maneira melhor de fugir de fantasmas, que negar a própria sinceridade, eu não a conheço... E eh ai que se esconde a verdade irónica que há em tudo, ser sincero eh sempre pior para si do que para qualquer outro. Quem pode verdadeiramente negar o que sabe? Por quanto tempo?
As vezes eu olho para mim e não gosto do que vejo. Essa imperfeição, essa distancia de tudo que quero, os gestos, as palavras, tudo tão impreciso. Mas há algo de bom nisso, me faz lembrar que eu ainda sinto algo, da mesma forma como as coisas de que gosto, como meu vicio por perguntas, minha sede por respostas... em um mundo onde as perguntas pouco importam, e as respostas são irrelevantes, vazias. Eu vejo um lugar onde as pessoas vivem pelas suposições, e elas são suficientes para alimentar seu bem-estar egoísta e pequeno.
Tantas pessoas parecem viver sem precisar de um sentido, sem precisar de nada maior que as pequenas preocupações diárias. Eu não entendo a diferença, e por mais que eu procure, não encontro uma boa resposta.

segunda-feira, setembro 21, 2009

Tempestade

Tão errado quanto se pode desejar
Como um gosto metálico, salgado, profundo
Não mais do que se pode ser
Mas eu ainda olho para o céu, aprecio as estrelas
Apenas para mim, como uma chuva fina
Gelada, continua, uma doce melodia
Como uma manhã cinza
Uma perfeição torta que lhe espera a cada segundo
Desejo sem temor, a segurança cega dos tocados pelo abismo
Sincero como as notas nas marcas deixadas pelos seus lábios
Tão errado que parece certo
Nobre como uma jóia falsa, de um charme duvidoso, sombrio
E me desenho para você na esperança de me ter nos seus olhos
Mesmo que por um instante, estar alem dos meus modos errados
Das minhas palavras confiantes e imprecisas
Da profundidade labiríntica, tão gelada quanto a superfície
Consumir-me no calor que você traz, no fogo que ascende
Tão certo e perfeito, torto e dissonante
Quanto o sonho doce, musical, no qual me perco pelo seu perfume
Um torpor doce, agitado, dourado aquoso...
O veneno que mata pelo sabor do qual não se pode escapar
Se ao menos não fosse meu antídoto, que acalma minha alma
Faz o mundo assim, tão diferente... outro.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Tempestade

E se era doce o sabor
Não havia de ser derrota
Não deveria haver um sorriso
Mas havia o sabor doce, sorriso
Sem os lábios que matavam
Somente o toque frio, apaixonado
Uma celebração a vida
Cheio de dourado, esmeralda
Em um ritmo calmo
Um suspiro, uma tranquilidade inabalável
O mundo inteiro, uma vida inteira
Palavras doces, como a chuva fina
Irresistível, como unhas vorazes
Como um rosto de linhas desenhadas
De lábios sedutores
A poesia, que se fazia por suas próprias palavras
Magnifica, ecoava pelos salões vazios
Pela superfície congelada
Como o olhar que marcava
Reclamava para si tudo, e tudo tinha