domingo, setembro 06, 2009

Inconsistência

Pequeno, escuro e profundo
Frio talvez, quente as vezes
Ou assim parecia
Torto, inegavelmente errado
Nas linhas suaves e precisas, engano
Mesmo quando algum sabor doce reverberava
Nunca totalmente bom, nem mal
Mas a intenção não basta
Quando tudo é arrastado para baixo
Ao menor toque, sempre...
A tranquilidade, da certeza
Não era nada, não tornava melhor
Talvez se lançasse as rochas da costa
Talvez, por achar que devia ser assim
Mas isso cobraria mesmo o preço de seus erros?
Poderia o mar punir sua inconsistência?
Torto e errado, frio e profundo
Mas nunca vazio

Caos

Travar, medir e suprimir alguma atitude era desconfortável. Ficava pior quando tinha de forçar uma atitude que não queria. Era como arranhar um quadro-negro, mastigar papel-alumínio. Odiava se trair dessa forma, mas parecia certo e bom. Era demasiado orgulhoso? A ponto de se sentir desconfortável quando achava que os outros não o veriam como gostaria? Ou era justo? Não importava muito para ele, não gostava e ponto.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Torpor

Sentia muito quando não sentia nada
Por estar cheio daquele vazio sufocante
Sem desejar a melodia daqueles olhos
Não sabia ser, tudo sem sentido
Sentia muito pelo sentimento cinza
Pela cor amarga em sua boca
Sem desejar a vibração de seu perfume
Não era capaz de acordar de seu sonoro torpor
Mas seu desejo tinha cor, grave
O sabor dissonante dos seus lábios rubros
E desejava a tempestade quando chovia
O suave cheiro da brisa gelada
Tao capaz de acalmar os sentimentos
De despedaçar sua alma ou fazê-la completa
Mesmo tão imperfeito, harmónico
Podia sentir o piano martelar seu peito
Embriagar a culpa, para culpar a embriaguez
Sentindo muito por sentir tanto
Por um sentimento prata, antigo e almiscarado
Molhado pela aspereza de sua alma
Pelo fogo frio de sua essência ardia
Incompleto pela dedicação cega
Sorria sem humor, mas sinceramente
Matando pela fidelidade a si
Mas o piano ainda martelava em seu peito
E seu coração ardia sob efeito do perfume apaixonado
Que insistia em embalar seu sono
Se não houvesse saída... sairia, sem sentido

Caos

Encheu a taça, e tragou. A luz pálida e fria em nada ajudava, queria concentrar-se mas estava usando meias. Sem meias, achou a musica apropriada, talvez, se fosse possível. A chuva inundava o quarto com seu cheiro verde, úmido. Se fosse dia, talvez fizesse o que era certo, mas era um cara errado e era noite. Talvez devesse parar de tentar fazer o que era certo, mas estava feliz com a chuva.

terça-feira, setembro 01, 2009

Jardim do Abismo

Mais uma vez era o som do piano
Que fazia difícil achar a música perfeita
Ou talvez o piano fosse perfeito
E a dor viesse da guitarra
Arrastando suas notas pela noite úmida
Trazendo um gosto salgado, áspero
Mas era somente a fumaça que se agitava
Com a melodia arranhando a pele
Marcando lembranças com fogo
Suave, rubra e perfumada seda, sedenta
Perfume que lhe roubava a alma
Se houvesse alma
Mas haviam estrelas e piano
Trazendo as notas frias
Regando as flores que lhe matavam
Fazendo um jardim no abismo
Doce, frio, sincero e perverso
Amou, se achou que deveria
Se não achasse, amaria
E a tempestade regou as flores
Rubras como sangue, frias como a noite
Como os lábios roubando seu sono
Sem perdão, apenas o fogo e o sorriso delicado
Fazendo da pálida vontade, a morte
Irredutível, inevitável
Se houvesse alma, mas haviam flores