terça-feira, julho 20, 2010

Solitude

Respeito muito mais quem é capaz de sentar-se no chão, encostar a cabeça nas caixas de som e se deixar ensurdecer enquanto ignora o resto. Respeito quem é capaz de decidir, enquanto um multidão diz que se deveria estar em pé, pulando...
Enquanto uma multidão deseja que tudo que esta diferente seja estranho, eu prefiro sentar-me no chão, encostar a cabeça nas caixas de som e deixar a musica gritada por elas me ensurdecer... Eu sorrio no meu caminho, e no meu caminho sou minha melhor companhia... Apenas um all star sujo, a fumaça e a musica.
Que aja o caos ou a ordem, não importa. Assim como não importa que aja coisa alguma senão o ímpeto pelo que é minha vontade, o ardor por ser, pois sendo estarei.
E egoísta será minha assinatura, se for justo dizer ser egoísta quem sente o mundo dessa forma. Eu posso ver o que se espera, posso cheirar o que se diz bom, posso tocar o que é aclamado... Assim como eu sei falar de amor, sei explicar o ódio, sei dizer onde cada uma dessas palavras são esperadas, desejadas talvez, mas nada disso me importa... não me sinto como se espera.
Enquanto houver beleza pela qual se apaixonar, se deixar tocar, o leve sussurro mesquinho do que é mediano não poderá desfazer esse sorriso sarcástico, nem diminuir o prazer de um dia frio de chuva fina.

sexta-feira, junho 04, 2010

Make a wish

As vezes é difícil saber se algo é realmente uma certeza, e não somente um desejo, ou mesmo se o desejo que se mostra a superfície não é uma inversão de algo que se quer e não se pode ter. Pior, quantas vezes eu não desejo querer algo, e minhas vontades selvagens correm caoticamente rumo a um sentido insano e despropositado.
No final das contas esse é o grande desejo, querer algo, qualquer coisa. Prender-se a um quebra-cabeça para desviar a atenção do óbvio, eu não quero nada neste instante, assim como foi em cada instante que consigo lembrar.

terça-feira, junho 01, 2010

Contornos

Sob um olhar tão distante, o suave rubor
Mais claro do que se ao alcance do toque estivesse
E nada impede que o sedento desejo tome para si
O controle impulsivo que não espera ser domado

Sob o suave toque áspero das palavras
Ditas no silencio, o deleite enlouquecido da paixão
E sua sinfonia que crepita como as chamas do arrependimento
Marca na alva textura sua fuga tortuosa

Não mais que as marcas de seus dedos imprecisos
A imprecisão do aroma perpetuado em sua mente
Como uma chuva fina ou as sedutora chamas dançantes
Não menos que a tempestade que devastou toda cor

No passageiro que paira sobre as brilhantes letras
Em uma mensagem sombria, a verdade sedosa
Mesmo quando conhecido é o saboroso veneno
Sua sinuosa trajetória não poderia atenuar o querer

O arranhar, eloquente e profundo, da beleza inegável
Se faz perceber aos sentidos cegos pelo medo
Como a mais rubra rosa no abismo, a luz implacável
Inconfortável faz ser o que com empenho se evitou

Sob uma fria, fria noite, o eco das palavras reverbera alto
Quando chama para si a responsabilidade sobre nada
A melodia se faz ouvir pelos delicados contornos na lembrança
Nada será, senão mais uma fria, fria noite perfumada

quinta-feira, maio 27, 2010

Cinza

O cinza e frio toque desta textura afiada
Sob o olhar deste passageiro sombrio é possível sentir
Ou mesmo no esforço para tudo tocar
Talvez pelo desejo de ser tocado por algo
Ou alguma coisa, alem da tola trégua com a ilusão
E se a cor, perfumada cor, se fizesse presente
E não se manifestasse apenas nesses devaneios de calmaria
Então essa sedosa composição faria de si a beleza que almeja
E, tão certo quanto o sentido estar no fim, haveria um começo
Mas é apenas mais um acorde ressonante de discórdia
O paradoxo personificado na simples complexidade de mais um sabor
Ou ainda, mais uma marca profunda numa alma superficial

domingo, maio 23, 2010

Limiar

Ok... este não eh um post comum, da mesma forma que estes não tem sido dias comuns.
Eu aprecio a tempestade, eu aprecio sua ordem e seu caos, mas eu, cada vez mais, sou levado a questionar o que há abaixo da superfície. Apreciar os reflexos distorcidos somente, já não basta. Eu quero, eu desejo, saber o que há de fato ali.
Algumas pessoas, provavelmente a maioria, não olha para as sombras por medo do que pode encontrar. Não deveria ser assustador olhar e não haver coisa alguma? Eu acho que sim, eu sei o que significa assustador, eu sei quando algo deveria ser assustador... mas eu não consigo ir alem disso. Encontrei o nada e me pergunto a quanto tempo ele existe. A quanto tempo existe esse vazio, escuro, gelado, metódico e caótico?
O mais importante de tudo, talvez a única coisa que importe, quantas respostas nos queremos? Ou, com quantas respostas saberemos lidar? Eu nunca fui bom em saber parar, apenas mais um limiar.