terça-feira, janeiro 19, 2010

Leveza

Acida leveza desta alma selvagem
Pelo saborear das caricias do vento
Que lhe desmancha os cabelos
Perdeu-se nos devaneios, nas minúcias
De lembranças que nunca aconteceram
No toque perfumado do martelar do piano
E achou a si no desenho de perfeitos labios
De linhas fluídas, calorosa textura
Desvencilhou-se da calma respiração
Para saciar a sede em desejoso veneno
Como se fosse chuva fina na manha fria
Como a paixão pela lua, pelas estrelas
Deleitou-se com os próprios erros
Como a primeira carta, tolo incauto
Para marcar na pele tão gelado hálito
Ou apenas se deixar molhar
Sob o apaixonado olhar da tempestade

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Melodia

E nao desejo nenhum lugar somente para mim
Senao talvez em algumas poucas linhas
Que me digam quem sou, sem se importar com quem fui
Ou ainda, apenas apreciar estes belos acordes
Que embalam minha respiracao em tao belo ritmo
E nao desejo nenhum pedaco de mim
Senao talvez os que tenho aqui
Sem se importar com o caminho que deixei para tras
Nem com o dissonante eco dos antigos passos
Ou ainda, importar-se apenas com um sorriso sincero
E este olhar distante, que embala a melodia
Doce amarga melodia

domingo, janeiro 17, 2010

Beleza

Não poderia ser, senão como uma noite estrelada
O mais perfumado sabor da surpresa
Talvez sem saber para onde ir, sabendo o que quer
Divagando na textura do delicado perfume
Ou embriagando-se com tão belas cores
De formas suaves, decididos movimentos
Uma dança decidida, naturalmente fascinante
Quando só desejo liberdade e a brisa noturna
Me deixo levar pelas desenho daquelas palavras
Ou pelo breve toque que congelou minha alma
Não poderia ser, senão como o mais belo por-do-sol

quinta-feira, janeiro 14, 2010

A Mais Bela Rosa do Abismo

Não somente como uma paixão melódica
As vezes tão profundo quanto o ressonante olhar
Um amor pelos suaves movimentos
A dança de teus lábios conjurando precisas palavras
Sentenças da minha alma, torpor para minha mente
Bela tempestade que incendeia meus traços
Ecoa nos meus passos com a perfumada brisa de tua respiração
E contorno cada lembrança marcada pelo seu nome
Com a calma que invade cada gesto meu
Pois não poderia ser, senão o desenho de seu rosto em palavras
De cores selvagens, perfume da mais livre rosa do abismo
Da mais fascinante sinceridade que cativa minha essência
Como as estrelas me prendem após rubro crepúsculo
Pois não poderia ser, senão o incêndio em sua alma

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Fogo

As vezes o horizonte se enche de fogo
Pouco antes de me reconfortar com tão desejada noite
Tempestuosa e perfumada escuridão, de ventos suaves
E deixo a melodia guiar meus passos lentos
Observando o calmo movimento dos meus pés
Deixo-me perder por entre o caos em minha mente
Que despreza, por um instante, o mundo ao seu redor
E tudo que vejo são os ecos destas linhas
Que desenham com perfeição estes modos tortos
Que vêem beleza nas gotas dessa chuva fina
Ou mesmo nestes gestos lentos e suaves
Deixo-me apaixonar então pelo que é simples
E essa arte pura e essencial preenche minha alma
Faz florescer o jardim em sua escura morada
E se o horizonte se enche de fogo
Incendeia minha vontade com desejo
Me traz para perto de mim, tão desejada noite